30 de outubro de 2025, 150 anos da Inauguração da Estação Ferroviária de Cordeiro" 1875/2025

 30 de outubro de 2025, 150 anos da Inauguração da Estação Ferroviária de Cordeiro"  1875/2025


Hoje, 30 de outubro de 2025, está completando 150 anos da inauguração da Estação Ferroviária do Cordeiro, que aconteceu em 1875. Este fato possibilitou o surgimento do povoado e, posteriormente, a cidade de Cordeiro.

No último dia 23 de outubro, a Câmara Municipal de Cordeiro aprovou Projeto de Lei nº 2937/2025, que institui o “Dia da Inauguração da Estação Ferroviária de Cordeiro”. Este projeto foi apresentado pelos vereadores Anísio Coelho Costa e Suellen Fernandes Paiva, presidente e vice-presidente da Câmara, respectivamente.

Esse projeto faz Cordeiro valorizar o seu passado, ainda mais este, que foi o marco principal para o surgimento do que hoje é o município. Um ato importante para a valorização da sua história.

Vale ressaltar que: Uma história só existe quando lembrada.






O início da Estrada de Ferro Canta Gallo 

*texto extraído de matéria de Janeiro de 2024 do jornal Ponto de Vista

 

 

O escoamento da produção cafeeira da região era feito em lombos de burros e mulas por duas rotas. A que descia a Serra do Mar em trilhas nas matas da Serra da Boa Vista de Friburgo, até Porto das Caixas, e de lá seguiam embarcadas até o Porto do Rio. E a que ia para o norte do estado até São Fidélis, de onde eram embarcadas pelo Rio Paraíba do Sul até Campos e depois por via marítima até o Rio de Janeiro. 

Esses animais tropeiros tinham o seu custo muito alto, assim como os escravos, que após a proibição do comércio negreiro, em 1850, e uma epidemia de cólera que dizimou boa parte da sua população, fez com que o custo desta mão-de-obra também encarecesse uma vez que o comércio, apesar de proibido, nunca foi interrompido.

Foi em 1854, por sua influência e fortuna, que Antonio Clemente Pinto recebeu o título de Barão de Nova Friburgo das mãos do Imperador Dom Pedro II, que um mês depois daria o título de Barão de Mauá a Irineu Evangelista de Souza, no dia que este inaugurava o primeiro trecho de 14 quilômetros da primeira linha férrea brasileira, a Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis, ligando o porto de Mauá à estação de Fragoso, na raiz da serra da Estrela, em Petrópolis.

Pode ser que o contato entre os barões que foram apadrinhados pelo Barão de Ubá e esta iniciativa de Irineu Evangelista tenha inspirado Antonio Clemente a construir a linha férrea ligando suas fazendas em Cantagalo com o Porto das Caixas, um dos vários portos existentes na Baia de Guanabara. A primeira tentativa da construção da estrada de ferro, em 1856, não teve êxito, mas em 1857 a Sociedade Anônima Estrada de Ferro Canta Gallo consegue a concessão e começa a construção do Ramal 1 da ferrovia indo de Porto das Caixas até Raiz da Serra, em Cachoeira de Macacu. E no dia 23 de abril de 1860 é inaugurado este trecho da estrada de ferro, que no primeiro ano transportou 13 mil passageiros.

O projeto sofreu atrasos por falta de alternativas, à época, para transpor a serra muito íngreme até Nova Friburgo. E nesta década, de 1860, o Barão investe nas construções de palacetes pelo interior do estado do Rio e na capital do Império. Em Cantagalo ele construiu, em 1860, o Palacete do Gavião e em 1866, na cidade do Rio de Janeiro, o Palácio de Nova Friburgo, hoje, Palácio do Catete. Além do Palacete de São Clemente, em Nova Friburgo. Onde hoje é a Fundação Dom João VI, o solar da família Clemente Pinto, no centro da cidade, local que lhe servia de moradia urbana foi construído em 1843.

Casado com sua prima Laura Clementina da Silva Pinto, teve quatro filhos, sendo que dois morreram ainda crianças, e Antonio Clemente Pinto, mesmo nome que o pai, e Bernardo Clemente Pinto Sobrinho, respectivamente 1° Barão, Visconde e Conde de São Clemente e 2° Barão, Visconde e Conde de Nova Friburgo.

Em 1868, o Barão consegue autorização para a construção do Ramal 2 da estrada de ferro, no trecho de Cachoeira de Macacu a Nova Friburgo, mas não chega a ver esta etapa concluída. Em 4 de outubro de 1869, o Barão de Nova Friburgo morre e deixa como desejo ser enterrado em cova rasa, envolvido em qualquer pano preto e em caixão barato. E de forma simples foi enterrado um dos homens mais ricos da época do império brasileiro, talvez uma forma de ajuste de contas com ele mesmo, em função de ter enriquecido, em partes, com o comércio de africanos escravizados.

Com sua morte seu filho, Bernardo Clemente Pinto Sobrinho, assume à frente da construção da estrada de ferro. Em 1871 é aprovada a continuidade da estrada de ferro até Nova Friburgo, o Ramal 2, e o sistema Fell que havia acabado de ser testado no Monte Cenis, na França, seria usado pela primeira vez em uma ferrovia no mundo. Em 1872, é iniciada a construção deste ramal e, em 18 de dezembro de 1873, é inaugurada a Estação Ferroviária de Nova Friburgo, ligando Cachoeiras de Macacu a Nova Friburgo.

Posteriormente, em 30 de outubro de1875, foi inaugurado o trecho até a Fazenda do Cordeiro. Em 1 de janeiro de 1876, é inaugurada a Estação Ferroviária de Cantagalo que, até então, só contava com o serviço de bondes transportando passageiros que chegavam à estação do Cordeiro até Cantagalo, e no sentido contrário, para quem iria embarcar no sentido à Nova Friburgo. E em 16 de setembro de 1876 o terceiro trecho é totalmente concluído com a inauguração da Estação de Passageiros de Macuco, que à época pertencia à Santa Maria Madalena.

Pelo projeto inicial, a estrada de ferro deveria ir até Santa Maria Madalena, mas por falta de verba o serviço foi interrompido. O dinheiro que ainda havia em caixa, foi usado para a criação da, então, Fazenda Modelo, que passou a fazer parte do patrimônio da Leopoldina. Posteriormente, essa fazenda foi comprada por Moacir Laport Leitão e rebatizada como Fazenda Benfica.

 

A fazenda do Cordeiro

 

 

A estrada de ferro foi responsável pela expansão e surgimento de cidades pelo mundo, e não foi diferente em relação a Cordeiro. A localidade existente aqui, na década de 1870 do século XIX, só tomou corpo com a chegada do cavalo de aço. Foi a Estrada de Ferro Canta Gallo, usando a grafia da época, construída com o propósito de transportar a produção cafeeira da região até Porto das Caixas, em Itaboraí, por iniciativa do Barão de Nova Friburgo, que fez surgir Cordeiro.

Mas antes de entrarmos nessa história, vamos conhecer um pouco do que era a região em seu surgimento.

No início da colonização da região, depois da expulsão de Mão de Luva, a então “Novas Minas dos Sertões de Macacu” começou a ser colonizada para a Corte Portuguesa ter controle sobre a região.  Assim, impediria a passagem de possíveis contrabandistas de ouro e pedras preciosas de Minas Gerais em direção ao litoral, impedindo que seguissem para a Europa.

A Corte passou a doar sesmarias às pessoas com posses, os donatários, que se comprometiam a colonizar a terra em tempo pré-determinado.

No início do século XIX, em 1804, João Machado Botelho, de origem portuguesa açoriana, chegou à região com a família, esposa e nove de seus dez filhos, vindo de Paty do Alferes, onde cultivava café. Com o mesmo propósito funda a Fazenda Monte Alegre (Fazenda da Torre), em 1809, em uma sesmaria recebida a ele pelo Principe Regente Dom João. Alguns anos depois já possuía 31 escravos e mais de 23 mil pés de café.

 

 

Fazenda Monte Alegre (Fazenda da Torre) 

                                           

 

João Machado Botelho veio para o Brasil com a esposa, Catarina do Rosário, e seu filho mais velho, Antonio Machado Botelho, em 1786, indo para a freguesia de N. S.ª da Conceição da Roça do Alferes, hoje, Paty do Alferes. Permaneceu por quase 20 anos nesta localidade, trabalhando com afinco e juntando economias que serviram para o começo da vida próspera em Cantagalo.

Em Paty do Alferes nasceram seus outros filhos: Manuel Inacio Botelho, que se tornaria padre, Luísa Rosa da Conceição, Rosa Cândida de Jesus, João dos Santos Botelho, Maria Rosa do Carmo, Inacia de Jesus da Conceição, Maria de Jesus, Joaquina Matilde da Conceição e Joaquim Machado Botelho.

O filho mais velho de Manoel Machado Botelho, Antonio Machado Botelho, também açoriano, ficou em Paty do Alferes, indo trabalhar na região de Valença, se estabelecendo em fazendas de terras devolutas que eram concedidas pelo governador da capitania do Rio de Janeiro em glebas, sesmarias. Em 1811, requer e consegue uma sesmaria na região onde, hoje, é Barra Mansa, e, em 1818, consegue outra na região de Rio das Flores. Em 1823, se transfere para Cantagalo, local em que já se encontravam seus pais e irmão.

Manoel Machado Botelho foi um dos pioneiros no cultivo do café na região.

Depois de morte de João Machado Botelho, em 1826, Antonio passa a administrar a fazenda e foi na sua administração que a propriedade viveu os melhores momentos chegando a ser uma das mais importantes de Cantagalo, onde possuía um engelho e um terreiro de pedras.

A fazenda Monte Alegre produzia, além de café, cana-de-açúcar e praticava a agricultura de subsistência, como arroz, feijão, mandioca, entre outros, para o consumo próprio.  

Com o casamento de sua filha, Maria Isabel dos Anjos Machado Botelho, em 1 de agosto de 1835, com João dos Santos Cordeiro, que veio do Rio de Janeiro para ser professor público em Cantagalo, Antonio doa ao casal uma parte da fazenda como dote, onde formam a Fazenda Nossa Senhora da Piedade.

João dos Santos Cordeiro se torna um importante fazendeiro cultivando café, além de cana-de-açúcar que parte da produção era dedicada a fabricação de rapadura e aguardente. Por registros no Almanaque Laemmert, supõe que João dos Santos tenha se tornado um advogado rábula, exercia a profissão sem formação, mas com autorização de uma corte jurídica.

Em um ponto da fazenda Nossa Senhora da Piedade, era local de parada dos passantes, principalmente tropeiros e mascates que chegavam à região. Por não se importar com essas frequentes visitas, constrói uma pequena choupana para que esses pernoitassem quando chegassem em horário avançado. Essa parada era próxima à bifurcação existente onde seguiam dois caminhos, um em direção a Cantagalo e outro em direção a Macuco, que à época pertencia a Santa Maria Madalena.

Na metade do século XIX Cantagalo era a maior produtora de café do estado e do Brasil. O maior produtor de café da região era o futuro Barão de Nova Friburgo, Antonio Clemente Pinto, que fez fortuna na corte e havia chegado a Cantagalo com o propósito de garimpar ouro, mas a mineração já não era mais a realidade do local, e passa a cultivar café em várias fazendas que veio possuir. Outra atividade que exercia era a de mercador de escravos, desde seu tempo na corte.

O café trouxe riquezas à região, mas seu transporte, como dos outros produtos de consumo na região e na corte, era muito caro e dispendioso por serem feitos em tropas de mulas. Foi quando, em 1854, Antonio Clemente Pinto, o maior produtor de café da região, resolve construir uma estrada de ferro para o escoamento do café até Porto das Pedras. Sua construção foi feita em três etapas: de Porto das Pedras até Cachoeiras de Macacu; de Cachoeiras de Macacu a Nova Friburgo; e de Nova Friburgo a Macuco.

Quando a construção da estrada de ferro chegou à fazenda do Cordeiro, Fazenda Nossa Senhora da Piedade, um novo povoado começou a surgir. Pelo fato de já haver na fazenda a bifurcação em direção a Cantagalo, onde ficavam as fazendas do Barão de Nova Friburgo, pela esquerda, e a Macuco, onde seria o ponto final do trecho, indo reto, o local se tornou ideal para a localização do entroncamento ferroviário.


Sede da Fazenda Nossa Senhora da Piedade, que deu início a cidade de Cordeiro
Foto: Revista Vida Doméstica 1921


João dos Santos Cordeiro e seus herdeiros concordaram em ceder suas terras para o assentamento dos trilhos e a construção de uma estação que serviria de passageiros e de armazém para os produtos, principalmente o café, que seriam embarcados ali.

E junto as obras vieram muitos funcionários da ferrovia como outras pessoas já imaginando o povoado que surgiria junto àquela estação. A família, percebendo que isto aconteceria, passou a lotear as terras próximas a estação aos futuros moradores do local.

Ao dar nome a estação, o proprietário do terreno foi homenageado se tornando Estação Ferroviária do Cordeiro. Assim, com o crescimento em torno da estação, o povoado que surgiu foi batizado com o nome de Cordeiro.

 

A inauguração da Estação do Cordeiro

 

A inauguração ocorreu no dia 30 de outubro de 1875. Como anunciou o Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, em 4 de novembro daquele ano:

“- No dia 30 do mês passado foram abertos ao tráfego mais 22,400metros da linha, compreendida entre a estação de Bom Jardim o ponto denominado Cordeiro’.

“o ato foi solenizado com a presença do presidente da província (Conselheiro Francisco Xavier Pinto de Lima) e de diversas pessoas gradas, que seguiram de Niterói nesse dia’.

“Um trem composto de oito carros e um vagão, percorreu a nova linha da estrada em 1 hora e 20 minutos, sendo recebido às 5 ½ da tarde em Cordeiro por um numeroso concurso de pessoas das circunvizinhanças, que aguardavam o trem com demonstração de entusiasmo e regozijo’.

“Depois da cerimônia da colocação da chapa, que dava o nome de Conselheiro Pinto Lima à nova locomotiva, que havia servido naquela inauguração, seguiu o Sr.  presidente, no primeiro bonde do ramal para a cidade de Cantagalo, onde recebeu uma lisonjeira recepção”.

Depois de outras informações sobre as festividades e a descrição do percurso de Bom Jardim a Cordeiro, o jornal finaliza a matéria:

“A estrada de ferro Cantagalo já tem em tráfego 137 km; faltando apenas 20 km para chegar ao ponto terminal, o município de Santa Maria Madalena (no caso, Macuco, que fazia parte daquele município á época), cujos trabalhos estão em grande adiantamento, tendo começado o assentamento dos trilhos.”

Vale citar que o 2º Barão de Nova Friburgo, Bernardo Clemente Pinto Sobrinho, juntamente com a baronesa, Ambrosina Leitão da Cunha Campbell, estavam presentes na inauguração.

À época, como ainda não estava pronta a estrada de ferro até Cantagalo, o trecho era abastecido por uma linha de bonde que ligava as duas localidades. Esse bonde só atendia a passageiros, não fazendo o transporte de cargas. Os horários de funcionamento eram no sentido de levar moradores de Cantagalo até a Estação do Cordeiro, que fossem embarcar para Friburgo ou Niterói, Porto das Caixas, pois ainda, não havia o trecho de trem ligando à capital da província, Niterói.

Já no início do funcionamento da Estação do Cordeiro, dava para notar o quanto o lugarejo crescia. O jornal, Gazeta de Notícias, de 24 de novembro de 1875, publicou a seguinte notícia:

“Junto a estação do Cordeiro, estrada de Cantagalo, fervem as edificações, mas todos querem os edifícios concluídos às pressas. Seja como for, e o resultado é não ter segurança alguma. Na rua denominada do Commercio, levantou-se uma espaçosa casa para hotel, e depois de encaibrada e ripada, quando se estava já cobrindo de telhas, xás, era uma vez uma casa: veio tudo abaixo, transformando-se o futuro hotel n’um montão de pedras, paus e telhas quebradas”.

Pelo visto, o povoado da Estação do Cordeiro, já possuía movimentos de uma cidade nesta época. Nada mais justo do que consideram a chegada do trem às terras da família de João dos Santos Cordeiro, como o início do povoamento que fez surgir a cidade do Cordeiro.

Assim, Cordeiro deve colocar no seu calendário comemorativo, também, o dia 30 de outubro como data do início da cidade, o que já se fazem 148 anos.

 

 

A Estrada de Ferro em Cordeiro 150 anos



Através da estada de ferro, o progresso começou a chegar à cidade. O povoado foi crescendo com a vinda de comerciantes, profissionais liberais, imigrantes de várias nacionalidades e de outros estados, principalmente de Minas Gerais.

Havia a estação de passageiros e a de cargas. Áreas para animais que eram transportados pelo trem e o depósito de café, que era produzido na região, para ser preparado e transportado para Porto das Caixas e, depois, embarcados ao porto do Rio.

Os trens possuíam os vagões de cargas e os de passageiros. Quando a linha férrea foi ligada à de Itaboraí, passou a ter um centro de triagem dividindo as composições para Niterói, capital do estado, e Rio de Janeiro, capital do Império e depois da República. E transportavam tudo que se produzia na região: café, leite, frango, ovos, porcos, de tudo.

O algodão, utilizado pela Fábrica de Tecido Nossa Senhora da Piedade, também chegava através do trem, ocupando vários vagões. Ficavam no armazém de cargas até irem para fábrica.

As locomotivas eram movidas a vapor, usando carvão mineral e lenha, como combustível para a caldeira produtora do vapor. Enquanto o maquinista controlava a máquina, o foguista abastecia a fornalha dando pressão na máquina de mais de 10 toneladas de peso. A locomotiva 402, que circulou em Cordeiro por muitos anos, tinha capacidade para mais de seis mil litros de água (por isso as várias caixas d’água espalhadas ao longo da via) e duas toneladas de carvão e lenha.

Os vagões de passageiros e o farol da locomotiva eram iluminados a base de carbureto.

Os trens que passavam por aqui, com destino a Niterói e ao Rio, tinham cabines distintas para facilitar quando se separavam da composição em Itaboraí, para ir cada uma a seu destino. O mesmo acontecia para vir. Cada um saía da sua origem se juntando em Itaboraí formando apenas um comboio.

Em Boca do Mato, para subir a serra, o comboio era novamente dividido, em dois vagões, e subiam puxados por uma locomotiva especial que usava o sistema Fell, um mecanismo que, para vencer terrenos íngremes, possuía um terceiro trilho, onde rodas montadas horizontalmente prendiam a locomotiva neste trilho, que ia entre os dois trilhos normais fixado ao solo. Para descer serve como sistema de freios. No alto da serra, em Theodoro de Oliveira, Nova Friburgo, os vagões eram unidos formando novamente o comboio.

Em cada composição havia um vagão especial em que havia um compartimento para o correio. Nele, as cartas de cada estação que o trem passava eram entregues nas estações dos destinatários. Às outras cartas, que não eram de estações em que o trem passava, seguiam para Niterói onde eram despachadas para seus destinos.

Locomotiva da Estrada de Ferro de Cantagallo 

As estações eram providas de telégrafos que faziam o serviço de envio de mensagens por código Morse entre as estações, avisando quando o trem partia à estação seguinte para evitar que algum trem colidisse com outro viesse em sentido contrário. O telegrafo servia, também, para a estação de Monnerat avisar a estação de Cordeiro quando havia chuva forte na cabeceira do Rio Macuco e avisar da possibilidade de enchentes na cidade. Aqui, algum funcionário tocava o sino da estação servindo de alerta à população. Várias vezes o sinal foi utilizado como alerta, como na enchente de 1940, quando uma farmácia existente ao lado da ponte da Rua XV de Novembro, foi demolida pela enchente, elevando o nível da água no centro da cidade em mais de 1 metro.

Na estação de passageiros havia uma passagem ligando o exterior com o lado interno da estação, onde hoje funciona a loja de Xerox, onde ficava o guichê de passagens, em frente era a porta de acesso ao restaurante que era administrado por Antonio e Ione Pecly.

A linha de trem quando chegava ao centro da cidade possuía uma chave, no início da Rua João Bellieni Salgado, que desviava os trens. Os de passageiros iam direto para a estação, e quando era de carga, era desviado para uma das outras duas linhas existente no trecho onde hoje é a sede da banda, o antigo cinema, até o Fórum, onde funcionava o armazém de cargas.

Neste armazém ficavam as cargas maiores, como sacas de café, de açúcar, rapaduras, charques, caixotes de ovos, engradados de aves, latões de leite, algodão, entre outras mercadorias. Ao lado do armazém existia um pátio maior, onde as tropas de burro, os carros de bois, os caminhões, trazendo e levando mercadorias estacionavam.

Já as cargas menores, geralmente mercadorias destinadas às lojas de tecidos, sapatos, armarinhos, e outros produtos, ficavam armazenadas no salão da estação de passageiros.

Os trens passavam nos seguintes horários:

 

1) Misto (passageiros e cargas), Cantagalo/Nova Friburgo - às 07h da manhã;

 2) Misto Macuco/Cordeiro - às 10h;

3) Expresso (só passageiros), Portela/Niterói/Rio de Janeiro - às10h20min (passageiro, cargas menores e correios);

4) Laticínios (transporte de leite e, eventualmente, outras cargas), Cantagalo/Nova Friburgo - às 11h15min;

5) Expresso (passageiros, cargas menores e correios), Rio de Janeiro/Niterói/Portela – entre as 14h30 e 15h30min;

6) Misto Cordeiro/Macuco - logo após a saída do Expresso;

7) Laticínios Nova Friburgo/Cantagalo - entre 17h30min e 18h;

8) Misto Nova Friburgo/Cantagalo - entre 19h30min e 20h30min.

Às segundas-feiras: o Passeio Cantagalo/Rio de Janeiro/Niterói - às 03h da madrugada (passageiros e cargas).

Às terças-feiras: o Bacurau Cordeiro/Portela - às 03h da madrugada (passageiros e cargas).

A Leopoldina era importante para Cordeiro em função da posição estratégica da cidade. De um lado Cantagalo, Laranjais e Portela, de outro Macuco. Pelo projeto inicial a ferrovia iria se estender até Macaé, o que não aconteceu em função de custos, ficando faltando apenas à ligação de Macuco com Santa Maria Madalena, que ligaria a região ao litoral, até Macaé, pela estrada de ferro.









 

 







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